segunda-feira, 31 de julho de 2017

Riqueza que vem do coco

Leite de coco pronto para beber: indústria diversifica produtos para impulsionar crescimento

Da semente plantada na terra até o lar do consumidor, brasileiro ou estrangeiro, há um longo caminho traçado pela cadeia produtiva do coco. A cultura, que se mostra rentável, resiste ao tempo e ao clima, no Estado que só agora, após cinco anos de seca, começa a celebrar melhora nas medições pluviométricas. O Ceará se destaca dentre os maiores produtores do fruto no País e envia sementes ao exterior que fazem germinar coqueiros muito mais produtivos que os plantados em países asiáticos, gigantes da produção mundial. O Estado também abriga grandes indústrias, que, além de investirem em produtos tradicionais, como água e coco ralado, lançam itens para atender às exigências de clientes atentos à saúde. O coco, hoje, já sai de empresas cearenses no formato de chips, a ser saboreado apenas com a abertura de um pacote, ou de leite, pronto para beber. Os avanços são notáveis, e os desafios também. A automatização da colheita ainda não vingou e põe em xeque produções futuras, com cada vez menos pessoas dispostas a exercer o ofício de colher o fruto. No reaproveitamento do que é jogado fora, são várias as possibilidades, mas projetos importantes seguem travados, com expectativa de retomada.

Confira o vídeo “Riqueza que vem do coco”


A despeito de dificuldades climáticas e econômicas, as indústrias do coco e derivados com atuação no Ceará projetam crescimentos da ordem de até 10% para este ano e de até 15% para 2018. O setor aposta no consumidor sedento por produtos saudáveis para alavancar o avanço nos próximos anos, com lançamentos como chips e leite de coco pronto para beber, mas investindo também nos produtos tradicionais, sobretudo a água de coco, que continua conquistando o brasileiro e o estrangeiro.


A Adel Coco, com fábrica e uma das fazendas em Trairi, a 124,5 km da Capital cearense, vem mantendo o mesmo faturamento anual desde 2014, mas espera retomar o crescimento em 2018. A expectativa da empresa é avançar 15% em comparação a 2017.

Parte do otimismo da empresa, fundada por Adelino Terra, atual sócio majoritário, é explicado pela retomada das chuvas no Ceará para o patamar da média histórica neste ano. "Neste ano de 2017, nossas novas fazendas começaram a produzir mais, resultado de investimentos em 2012 e 2013. As nossas novas fazendas são todas irrigadas, mas a chuva ajuda bastante", destaca o diretor operacional da Adel Coco, Mariano Omar.

No avanço da empresa, diz Omar, terão papel fundamental os produtos da linha natural, como óleo virgem e extra virgem, chips e água, todos provenientes do coco. O segmento de itens, que hoje representa cerca de 5% do faturamento da Adel Coco, no período de um ano terão peso de 20% e 25%, projeta o diretor.

Os chips de coco, pedaços crocantes da fruta, são produzidos para terceiros desde 2011, mas começaram a ser fabricados com marca própria da empresa neste ano. E Mariano Omar adianta qual deve ser o próximo lançamento: "Estamos desenvolvendo leite de coco em pó". Atualmente, a Adel Coco produz apenas a versão líquida do produto, para uso culinário.

Como consequência da seca, um dos principais entrave que vem sendo enfrentado pelo setor no Ceará, segundo Omar, é no fornecimento do coco seco, sobretudo no período de entressafra, que já se aproxima do fim. "Tivemos que importar muita matéria-prima para nos mantermos. Se houvesse água suficiente, haveria um panorama bem diferente", diz.

A Adel Coco tem hoje "40 colaboradores na fazenda e 260 na fábrica. Esse número com certeza daqui a 60 dias será em torno de 300, 320 colaboradores devido ao período de safra (do coco seco)", destaca o diretor.

Leite de coco para beber

Enquanto a Adel Coco aposta nos chips e no leite de coco em pó, a Ducoco, tem como último lançamento o leite de coco pronto para beber. Diferentemente do líquido tradicional, que costuma ser utilizado em receitas, o produto da Ducoco busca ser uma alternativa ao leite de vaca para os que tem alergia ao alimento ou intolerância à lactose.

"É um lançamento pioneiro no mercado. É uma bebida naturalmente zero lactose, e que promete ser mais um driver de crescimento da companhia", destaca Gilberto Sampaio, diretor de marketing da Ducoco. "Certamente as inovações não irão parar o por aí, em breve, queremos sim ampliar nossa atuação no mercado de saudáveis", acrescenta o diretor.

Com fábricas em Itapipoca, a 147,3 km de Fortaleza, e em Linhares (Espírito Santo), sete fazendas próprias no Ceará, três centros de distribuição (Itapipoca, Linhares e Barueri, em São Paulo), e um escritório em São Paulo, a Ducoco emprega cerca de 1.500 funcionários. Sem detalhar números, Gilberto Sampaio afirma que a companhia "vem apresentando números expressivos de crescimento, apesar do cenário econômico do País".

Assim como no mercado nacional, as exportações "seguem em franco crescimento", garante o diretor. "Somos os maiores produtores de água de coco do mundo, produzindo inclusive a Vita Coco, marca líder do mercado americano, e outras marcas de terceiros", afirma.

Avanço contínuo

A Dicoco, com fábricas em Paraipaba, no Litoral Oeste do Ceará, e Petrolândia (Pernambuco) também comemora avanços obtidos nos últimos seis anos. "Temos tido crescimento anual superior a 10%. Firmamos parceria com outros clientes e planejamos continuar esse nível de crescimento que temos tido ano a ano", destaca o CEO da empresa, Raimundo Dias.

Hoje, a Dicoco emprega 200 pessoas nas duas unidades e produz coco ralado, além de óleo e água derivados do fruto. "Eu vejo potencial de crescimento nos três setores, principalmente pelo benefício que esses produtos oferecem para vida das pessoas", salienta Dias.

Diário do Nordeste


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