domingo, 9 de julho de 2017

Crise sem fim: Em delação, Cunha pretende fulminar Temer, Maia e Eunício

Esboço de acordo que cita presidente e seus sucessores deve ser discutido nesta semana (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Quando o advogado do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) sentar-se, ainda nesta semana, diante de representantes da Procuradoria Geral da República (PGR), estarão sobre a mesa papéis que podem garantir mais um abalo de grandes proporções na já conturbada atmosfera política de Brasília. Segundo apurações realizadas por diversos órgãos de comunicação nos últimos dias, entre dezenas de nomes que devem ser implicados na delação premiada que o peemedebista negocia, estarão o do presidente Michel Temer (PMDB), e de dois integrantes de sua linha sucessória: os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

Juntos deles estarão mais de 50 políticos, incluindo senadores, deputados e ministros. Alguns, de grande importância na sustentação do cada vez mais frágil mandato de Temer. Na mira de Cunha estão, por exemplo, os peemedebistas Moreira Franco e Eliseu Padilha, além do líder do governo no Senado, Romero Jucá.

Nem mesmo antigos aliados já presos serão esquecidos. Eduardo Cunha deve revelar ilegalidades praticadas por Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves, acusados, como ele, de fraudes na concessão de financiamentos do FI-FGTS, da Caixa Econômica Federal.

No caso de Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, a presença na lista não se dá apenas pelo enorme conhecimento que o político fluminense possui do comando do país. Pesa também a enorme insatisfação que Cunha nutre contra os dois. Maia foi aliado, até que escanteou Cunha durante o processo de cassação do peemedebista.

Em relação a ele, de acordo com a colunista Mônica Bergamo, do jornal “Folha de S.Paulo”, o peemedebista poderá falar da atuação parlamentar do democrata em benefício de setores empresariais e de recursos não contabilizados que ele teria recebido em campanhas.

Segundo a jornalista, porém, as informações não teriam potencial para inviabilizar a articulação de Maia para assumir a Presidência da República, com o afastamento de Michel Temer.

Já Eunício Oliveira sempre foi rival de Eduardo Cunha. Da ala do PMDB no Senado, ele nunca se deu bem com o colega da Câmara. Outro inimigo que não deve ser esquecido pelo ex-presidente da Câmara é o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho.

Os principais torpedos de Cunha, porém, serão direcionados a Michel Temer. Entre outras coisas, tanto o ex-deputado quanto Lúcio Funaro – que também negocia delação premiada – devem confirmar que receberam recursos para permanecer em silêncio e que foi o presidente quem ordenou os pagamentos.

ESTRATÉGIA
PGR quer manter ação contra Loures

A Procuradoria Geral da República (PGR) quer que o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures continue a responder à acusação de corrupção passiva, caso a Câmara negue autorização para o prosseguimento da denúncia contra o presidente Michel Temer.

Se os deputados barrarem o avanço do processo, o órgão deve pedir ao ministro Edson Fachin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), que o desmembre para que a acusação contra Loures vá para a primeira instância, já que ele não tem foro privilegiado. O entendimento é que a suspensão do processo pela Câmara vale só para Temer –que terá de enfrentar a acusação quando sair do cargo.

Jornal O Tempo


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