domingo, 30 de julho de 2017

Baixo custo e alta rentabilidade alavancam cultura de coco no Ceará

Estado é o 2º maior produtor do País. A rentabilidade pode chegar a R$ 2 mi por ano, em 160 hectares

Segundo maior produtor de coco do Brasil, o Ceará responde por 15% de toda produção nacional. Em 2016, foram mais de 260 milhões de cocos colhidos no Estado, em uma área de 40,3 mil hectares, segundo dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Estado, a cultura mostra-se atrativa e os produtores podem obter uma rentabilidade anual de aproximadamente R$ 2 milhões com uma área plantada de 160 hectares. No Brasil, o Ceará é superado apenas pela Bahia, responsável por um terço da produção do País.

Com relação às vendas, apenas na Central de Abastecimento (Ceasa) de Maracanaú, são comercializados, em média, 26 mil frutos por dia, entre coco verde e coco seco. Por mês, são vendidas 400 toneladas de coco verde para o mercado de água de coco e 400 toneladas de coco seco para a indústria.

Após cinco anos de seca, com repercussão negativa na produção cearense, o segmento começou a se recuperar em 2017, com a volta das chuvas. "A produção tende a se recuperar neste ano, principalmente, na região do Baixo Acaraú", diz o diretor do Instituto Ecoco, Francisco Bezerra de Menezes. Da produção do Estado, cerca de 30% são de coco seco e 70% são de coco verde.

Hoje, o Ceará conta com 12 empresas que atuam na exploração de coco e derivados, que geram cerca de 4,5 mil empregos diretos. Mas o potencial de crescimento, diz Menezes, ainda é muito grande. Além de o Ceará oferecer condições climáticas favoráveis para o cultivo do fruto, o segmento apresenta vantagens sobre outras atividades da agricultura irrigada, como o baixo investimento em mão de obra e o plantio, já que não é preciso renovar a lavoura, como ocorre com o milho, por exemplo, e a rentabilidade por hectare, que gira em torno de R$ 1 mil por mês. "Com um custo relativamente baixo, você tem uma rentabilidade muito grande", diz Menezes. Em média, a primeira colheita de coco pode ser realizada três anos após o plantio.

Mercado


Apesar de ser o segundo maior produtor do País, o Ceará também recorre ao mercado internacional para suprir o consumo local. Em junho, por exemplo, o Estado importou 175 toneladas de água de coco, o equivalente a 88,8% da importação nacional do mês. Os 11,2% restantes foram importados pelo estado da Paraíba, segundo o Boletim Conjuntural do Sindicato Nacional dos Produtores de Coco do Brasil (Sindcoco). Entre os fatores que tornam a água de coco vinda de fora do País atraente no mercado local, está o preço.

No entanto, a qualidade do produto e os métodos de produção são questionáveis, afirma o diretor do Instituto Ecoco. "A Ásia exporta para o mundo inteiro, e o Brasil é um grande importador de coco ralado, mas a água de coco tem uma qualidade questionável. O preço que eles pagam ao trabalhador é muito baixo. É uma competição desleal com a nossa água de coco", diz Francisco Bezerra de Menezes.

Segundo o documento, a maior parte do coco ralado importado pelo Brasil, em junho, teve origem na Indonésia (76,9%), Filipinas (18,0%), Índia (4,3%) e Sri Lanka (0,8%). Ao todo, foram mais de mil toneladas importadas no mês, resultado 36% inferior ao de maio e 10% menor do que o de junho de 2016. Apenas o Espírito Santo foi responsável por 41,9% das importações de coco ralado.

Gargalos

Com relação aos gargalos para o desenvolvimento pleno da atividade, a ausência de linhas de financiamento específicas e a insegurança de abastecimento hídrico ainda são os principais fatores que desestimulam investimentos no setor. "Esses são os principais gargalos, porque o coco é rentável e temos um ótimo ambiente para esse tipo de produção", diz Menezes.

Quanto à importância econômica e social, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), Flávio Saboya, destaca que a cultura do fruto no Estado vem se destacando como atividade geradora de vagas de trabalho e renda, empregando mão de obra o ano inteiro. "Uma das vantagens dessa produção é que ela permite o consórcio com outras culturas, como os cultivos de subsistência e até mesmo com a criação de animais", ele diz.

Diário do Nordeste


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