sexta-feira, 21 de julho de 2017

A importância dos exercícios físicos para as pessoas com deficiência

As atividades ajudam a tonificar os músculos, promovem a inclusão social, aumentam a autonomia e melhoram a autoestima e a condição da saúde no geral (Foto: Divulgação/Comitê Paralímpico Brasileiro)

Praticar esportes com regularidade traz inúmeros benefícios para a saúde física e mental, além de melhorar a qualidade de vida. Para as pessoas com deficiência, os ganhos são ainda maiores. Aprimora a força, a agilidade, a coordenação motora, o equilíbrio e o repertório motor. No aspecto social, proporciona a oportunidade de sociabilização entre quem tem e não tem deficiência, além de aumentar a independência no dia a dia.

No aspecto psicológico, o esporte melhora a autoconfiança e a autoestima, tornando os praticantes mais otimistas e seguros para alcançarem seus objetivos. Previne as enfermidades secundárias à deficiência e ainda promove a integração social, levando o indivíduo a descobrir que é possível, apesar das limitações físicas, ter uma rotina normal e saudável.


“Os exercícios físicos tanto por competitividade quanto por diversão proporcionam inúmeros benefícios para o corpo e mente. Porém, é imprescindível respeitar as limitações, adequando modalidades e objetivos pessoais”, comenta a Dra. Karina Hatano, médica do exercício e do esporte.

A especialista explica ainda que é fundamental o acompanhamento na hora de executar um movimento. “É imprescindível seguir todas as normas de segurança para evitar acidentes e estimular sempre o desenvolvimento da potencialidade individual”, comenta.

Benefícios físicos e psíquicos do esporte apontados pela médica

· Mais agilidade, equilíbrio, força muscular, resistência e coordenação motora;
· Melhora dos aparelhos circulatório, respiratório, digestório, reprodutor e excretor;
· Aumento da velocidade, ritmo e reabilitação;
· Prevenção de deficiências secundárias;
· Promoção e encorajamento do movimento;
· Desenvolvimento de habilidades motoras e funcionais;
· Manutenção e promoção da saúde;
· Reforço da autoestima e autoimagem;
· Integração social com outros grupos intensificada;
· Estímulo à independência e autonomia;
· Motivação para atividades futuras;
· Desenvolvimento da capacidade de resolução de problemas;
· Superação de situações de frustração.

Modalidades sugeridas

Judô – segue as mesmas regras da Federação Internacional de Judô, com pequenas alterações. Já que é praticado por pessoas com deficiência visual, não ocorre a punição quando se pisa fora do tatame. No começo da luta a pegada é feita pelo juiz e o judoca não pode mais mudar de posição. Toda vez que acontecer a separação dos atletas o combate é interrompido. Saber utilizar a força do adversário é mais importante do que aplicar a própria força.

Natação – voltada para amputados, pessoas com paralisia cerebral, deficiências visuais, paraplégicos e outros. As competições são divididas de acordo com as deficiências dos atletas que são três: visual, física e cerebral. As regras são as mesmas utilizadas pela Federação Internacional de Natação com a diferença de que o atleta tem a escolha de largar na plataforma ou dentro d’água em algumas provas.

Tiro – para amputados, pessoas com paralisia cerebral e cadeirantes. Nesta mobilidade os atletas atiram de posições diferentes daquelas determinadas pelas normas internacionais. Os atiradores podem praticar os seus disparos sentados ou pé devido a um sistema que equipara as chances dos atletas.

Bocha – para aqueles com paralisia cerebral. Os jogadores precisam colocar suas bolas o mais perto possível da bola branca que é o alvo e também tirar de perto dela as bolas do adversário. É um jogo de precisão e estratégia e por ser aplicado somente por deficientes cerebrais os jogadores podem receber orientações de seus treinadores de maneira acústica.

Vela - modalidade voltada para amputados, cadeirantes, pessoas com deficiência visual, paralisia cerebral e outros. Disputadas em duas classes: a Sonar composta por três atletas. A pontuação varia de 1 a 7, de acordo com o grau de deficiência. Cada uma das esquipes não pode ultrapassar a marca de 12 pontos. A outra classe é a 2,4mR disputada por apenas um velejador em cada barco.

Futebol de cinco – praticado por pessoas com deficiência visual traz muita influência do futebol de salão. Para proporcionar igualdade de condições todos os atletas devem usar uma venda. A exceção é o goleiro que sempre terá cegueira parcial. Sua função, além de defender as bolas atacadas contra o seu time, é atuar como guia de seus companheiros.

Basquete em cadeira de rodas – disputado por pessoas com alguma deficiência física-motora, começou a ser praticado por ex-soldados norte-americanos que haviam saído feridos na 2ª Guerra Mundial. As cadeiras de rodas utilizadas por homens e mulheres são adaptadas e padronizadas pelas regras da Federação Internacional de Basquete em Cadeiras de Rodas (IWBF). O jogador deve quicar, arremessar ou passar a bola a cada dois toques dados na cadeira. As dimensões da quadra e a altura da cesta seguem o padrão de basquete olímpico.

Sobre a Dra. Karina Hatano

Karina Hatano é médica do exercício e do esporte, mestre em Medicina Esportiva pela Universidade Federal de São Paulo, onde também realizou a Residência Médica em Medicina do Esporte, além de acumular especialização em fisiologia do exercício e nutrologia. Preceptora da Medicina Esportiva da Universidade Federal de São Paulo e professora da Liga de medicina esportiva da UNIFESP, também é responsável pela saúde de atletas de alta performance de diversas modalidades esportivas, como da seleção brasileira de natação e das confederações brasileiras de baseball e softball.

MM Agência


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