sexta-feira, 9 de junho de 2017

Operação Gabarito da Polícia Civil da PB bloqueia 50 contas bancárias de suspeitos de fraudar concursos

Homem foi preso por posse ilegal de arma e a filha dele por falsa identidade (Foto: Walter Paparazzo/G1)
Ponto eletrônico apreendido na Operação Gabarito, durante concurso do Ministério Público do Rio Grande do Norte (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)

Cinquenta contas bancárias, pertencente aos suspeitos investigados na Operação Gabarito, da Polícia Civil da Paraíba, foram bloqueadas judicialmente durante a terceira fase da operação, concluída nesta sexta-feira (9). O delegado responsável pela operação, Lucas Sá, informou que a terceira fase, iniciada no dia 22 de maio, tinha como objetivo analisar documentos e aparelhos eletrônicos apreendidos com os suspeitos.

A operação investiga um grupo suspeito de fraudar pelo menos 100 concursos públicos e vestibulares e lucrar pelo menos R$ 18 milhões com a aprovação de mais de mil pessoas. Segundo a polícia, as fraudes começaram em 2005.

Nesta terceira fase, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão nas cidades de João Pessoa e Cabedelo. Desde o começo da operação, 31 pessoas foram indiciadas e 26 foram presas, suspeitas de envolvimento no esquema de fraudes em concursos e vestibulares que aprovou mais de 500 pessoas e lucrou R$ 18 milhões, segundo a Polícia Civil.

No relatório divulgado pela Polícia Civil nesta sexta-feira constam fotos que estavam armazenadas nos aparelhos eletrônicos dos suspeitos, entre elas fotos de provas de concursos tiradas em banheiros, aparentemente ainda nos locais de prova, maços de dinheiro e uma foto de quatro integrantes da quadrilha bebendo na casa localizada em um condomínio de luxo em João Pessoa.

Além dos bloqueios judiciais nas contas e nos imóveis dos suspeitos de envolvimento com o organização criminosa, a Polícia Civil segue colhendo informações que permitam o mapeamento do todo o patrimônio do grupo.

Patrimônio de R$ 100 milhões

A estimativa é de que a quadrilha tenha construído um patrimônio de R$ 100 milhões, entre imóveis, carros e dinheiro. Durante a terceira fase, conforme relatório divulgado pela Polícia Civil, foram solicitadas 58 medidas cautelares. “Entre as novas solicitações estão mandados de prisão, de busca e apreensão, além de quebras e bloqueios de novas contas bancárias”, comentou Lucas Sá.

“A terceira fase da operação tem como objetivo principal a análise do material apreendido e a identificação dos membros da organização criminosa que ainda estão em liberdade. Durante esta fase foram encontrados documentos importantes, como planilhas de valores de cargos públicos, o planejamento para o ano de 2017, com os concursos futuros que seriam fraudados, além de nomes de diversos candidatos e membros da organização”, explica Lucas Sá.

Ainda de acordo com o delegado, durante a análise, subiu para 100 o número de pessoas envolvidas diretamente com as fraudes, além de provas e indícios de que mais de mil pessoas teriam sido beneficiadas pelo esquema.

“Na quarta fase da operação, vamos aprofundar a investigação em cada concurso fraudado no estado da Paraíba e enviar cópia integral das provas encontradas a outras instituições para a instauração de investigações específicas nos outros estados”, completou.

Operação

Os suspeitos cobravam, em média, o valor correspondente a 10 vezes o salário inicial do cargo pleiteado. A venda do ‘kit completo de aprovação’ custava até R$ 150 mil. Em 12 anos, o valor acumulado pelo grupo com o esquema já passa de R$ 21 milhões, segundo Lucas Sá.

A primeira etapa aconteceu no dia da realização das provas do concurso do Ministério Público do Rio Grande do Norte, quando 19 pessoas foram presas em flagrante tentando fraudar o concurso com pontos eletrônicos. Outros seis suspeitos foram presos durante a segunda etapa da operação.

G1 PB


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