sexta-feira, 2 de junho de 2017

Ataque a cassino nas Filipinas deixa ao menos 36 mortos

Complexo Resorts World, em Manila, é isolado após relatos de tiros e explosões (Foto: Erik De Castro / Reuters)

O ataque a um cassino no sul de Manila, capital das Filipinas, deixou dezenas de mortos, informam as agências internacionais de notícias na madrugada desta sexta-feira (2). Apuração de BBC, Reuters, France Presse (AFP) e CNN informam que ao menos 36 pessoas morreram intoxicadas após um homem incendiar mesas no complexo.

O número de mortos, no entanto, pode aumentar, noticiam as agências.

As pessoas morreram asfixiadas pela fumaça, após o homem atear fogo em várias mesas de jogo durante uma correria, disse um porta-voz dos bombeiros.


O superintendente da polícia, Tomas Apolinario, afirmou que os corpos estavam entre o segundo e oitavo andar do complexo do Resort World Manila, que abriga um hotel, um cinema, um cassino, restaurante e shopping.

Homem armado

O ataque ocorreu no início da madrugada (hora local), quando um homem mascarado e armado com uma carabina M4 entrou no segundo andar do edifício e começou a incendiar mesas de jogo utilizando gasolina, tentando roubar fichas do cassino e realizando disparos.

Pelo menos 54 se feriram - alguns com gravidade -, durante a fuga das pessoas. Tiros foram disparados, mas segundo a polícia, ninguém foi atingido.

Após os primeiros relatos de tiros e explosões ouvidos no complexo, policiais, bombeiros e atiradores de elite foram enviados para a cena e isolaram o local.

Roubo

Ronald dela Rosa afirmou que "não há nenhuma indicação de terrorismo" e que o incidente pode ter sido um roubo. Segundo ele, um homem armado com um rifle entrou em um cassino do complexo e incendiou mesas. Ele fez alguns disparos, mas não estava apontando contra as pessoas, segundo Dela Rosa. "Não podemos dizer que foi um ato de terror... Ele não feriu ninguém", disse.

Ainda de acordo com o chefe de polícia, o agressor atirou contra um local onde as fichas de jogos eram guardadas, encheu uma mochila com várias delas e fugiu em direção a um hotel.

Dela Rosa afirmou que o suspeito "é branco de aparência estrangeira e tem cerca de 1,80m".

O corpo carbonizado do suspeito foi encontrado no quinto andar do hotel.

A polícia diz que o homem se escondeu no quarto número 501, se enrolou em lençóis borrifados de gasolina e ateou fogo, o que foi classificado pelos agentes como suicídio.

O motivo para o assalto era a recompensa de 130 milhões de pesos filipinos (cerca de US$ 2,6 milhões) em fichas do cassino.

Após o incidente, a fumaça tomou conta do complexo.

Terrorismo?

O chefe da polícia nacional afirmou ainda que é possível que o grupo Estado Islâmico (EI) tenha assumido a autoria do ataque para ajudar em sua propaganda. Segundo Rita Katz, a diretora do Site Intel Group, grupo de monitoramento de grupos terroristas, um militante filipino do EI disse que "lobos solitários" seriam responsáveis por um ataque no local (veja abaixo). Não houve, no entanto, um comunicado pelos meios tradicionais do EI, como sua agência Amaq.

Um representante da Cruz Vermelha das Filipinas afirmou que pelo menos 25 pessoas se machucaram no incidente, de acordo com o jornal "Manila Times". Algumas das vítimas, segundo o relato, tiveram ferimentos graves porque pularam do segundo pavimento de um dos hotéis do complexo.

O Resorts World é um complexo que reúne hotéis, restaurantes, cassinos e lojas e está situado nas imediações do Aeroporto Internacional Ninoy Aquino, que atende a capital do país, Manila.

Em suas redes sociais, o hotel confirmou o incidente, e disse que a área está interditada. "Estamos trabalhando de perto com a Polícia Nacional das Filipinas para assegurar que nossos hóspedes e funcionários estejam em segurança. Pedimos suas orações durante esse momento difícil".

Também afirmou que a empresa seguiu os protocolos de emergência para garantir a segurança dos hóspedes e funcionários.

Crise de Segurança

Atualmente, as Filipinas vivem a maior crise em sua segurança interna em anos, e forças estatais tentam, há 10 dias, retomar o controle de Marawi, cidade no sul do país, onde há uma rebelião de jihadistas do grupo Maute, que jurou lealdade ao EI.

Nesta quinta (1º), um ataque aéreo a rebeldes islâmicos escondidos na cidade deixou 11 soldados do governo mortos e sete feridos. Um dos dois aviões que estavam bombardeando as posições rebeldes errou o alvo no centro da cidade.

Segundo a agência Associated Press (AP), 500 milicianos, entre eles combatentes estrangeiros, estão envolvidos no cerco à cidade, que começou junto com o mês sagrado do Ramadã.

Os combates tiveram início no dia 23 de maio, após o fracasso de uma operação militar para prender Isnilon Hapilon, líder do grupo jihadista Abu Sayyaf, também vinculado ao EI, e que permanecia protegido por membros do Maute. Naquele dia, o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, anunciou a entrada em vigor da lei marcial na ilha de Mindanau.

A cidade é considerada um importante centro islâmico no sul das Filipinas. De acordo com a CNN, a batalha já provocou o deslocamento de 70 mil pessoas.

As autoridades reforçaram a segurança do Aeroporto Internacional Ninoy Aquino, próximo ao cassino, do Palácio de Malacañang - residência oficial do governo filipino -, embaixadas e ministérios, entre outros lugares de Manila.

G1


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