segunda-feira, 15 de maio de 2017

Petrolândia: Mastologista Dr. Paulo Lucena tira dúvidas sobre o câncer de mama em entrevista com Assis Ramalho na Web Rádio Petrolândia


O Mastologista Dr. Paulo Lucena foi entrevistado pelo radialista e blogueiro Assis Ramalho, na manhã do último sábado (13), no programa Acordando com as Notícias, transmitido pela Web Rádio Petrolândia.

Na entrevista, o médico tirou dúvidas em relação aos cuidados da mulher com o seu corpo e falou sobre a importância do autoexame contra o câncer de mama.

Dr. Paulo Lucena comentou que o câncer de mama é uma doença multifatorial. Alguns dos sintomas são a existência de nódulos, lesões cutâneas e o endurecimento mamário. A obesidade e o sedentarismo estão entre os fatores de risco da doença.

De acordo com o médico, a realização da mamografia anual para mulheres de 40 anos é muito importante para o diagnóstico.

Além de Petrolândia, onde atende na CLIMAGEM, Dr. Paulo Lucena atende também em Jatobá, Floresta,Tacaratu e Paulo Afonso.

Com poucos meses de atendimento na região, Dr. Paulo Lucena afirma que ainda não diagnosticou, tanto em Petrolândia, quanto nos demais municípios, nenhum caso de câncer de mama entre paciêntes.

Acompanhe abaixo perguntas e respostas

Assis Ramalho: Gostaria que o Dr. começasse a entrevista esclarecendo o que  é mamografia e como é procedido o exame.

Dr. Paulo Lucena: Mamografia é o exame-padrão para o diagnóstico de câncer de mama. Permite detectar o tumor em fase inicial, quando mede milímetros e ainda não é palpável. Na mamografia analógica, o seio é comprimido e exposto aos raios X. São tiradas duas chapas (frente e lateral) e as imagens gravadas em um filme. Os equipamentos digitais dispensam os filmes: as imagens são mostradas na tela de computador. No Brasil, a maioria dos aparelhos é analógica.

Quando a mamografia de rotina deve ser iniciada?

Dr. Paulo Lucena: O Instituto Nacional do Câncer (Inca) recomenda que ela seja feita a cada dois anos, dos 50 anos aos 69 anos - faixa de maior incidência de câncer de mama. Mas organizações como a Sociedade Brasileira de Mastologia, a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), o Colégio Brasileiro de Radiologia e a Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama) defendem a mamografia anual a partir dos 40 anos.

Antes dos 40 anos, que exames são aconselhados?


Dr. Paulo Lucena: O autoexame mensal e a palpação anual pelo ginecologista. Caso se perceba alguma alteração, como presença de caroço, retração de pele não associada à inflamação, mudança no formato, na textura ou no tamanho do seio, inversão do mamilo ou saída de secreção, o médico pode solicitar uma mamografia. Daí não se trata de exame de rastreamento, mas de diagnóstico, em busca de explicações para a modificação observada. O autoexame é importante para que a mulher conheça melhor o seu corpo e tenha facilidade em perceber alguma alteração nas mamas. Caso isso ocorre, ela deve procurar seu médico rapidamente, pois apenas ele poderá diagnosticar a doença. Para isso, ele poderá solicitar exames complementares, podendo ou não ser uma mamografia. Apenas 20% dos nódulos encontrados nas mamas correspondem a tumores cancerígenos. O exame clínico anual pode ser realizado pelo ginecologista ou pelo mastologista.

A mulher corre mais risco se houver um historico de mama na familia?

Dr. Paulo Lucena: Cerca de 90% das mulheres que desenvolvem esse tumor não têm ninguém na família com o mesmo problema. Só em 10% é hereditário, mas considera-se alto o risco de câncer de mama quando um ou mais parentes em primeiro grau tiveram a doença, em especial se aparecer antes da menopausa. Nesse caso, a indicação é iniciar a avaliação dez anos antes da idade em que o câncer de mama surgiu no familiar. Pode, inclusive, ser indicado o teste genético, em busca de mutações que predisponham ao câncer.  ele apresenta pelo menos dois inconvenientes: o custo alto e, se der positivo, o risco de o tumor se apresentar pode chegar a 85%, por isso a mulher deve estar preparada para investir em medidas de prevenção e às vezes adotar atitudes mais drásticas, como a mastectomia profilática (retirada das mamas).

Qual o melhor período para a mulher marcar a mamografia, e por que é preciso apertar tanto os seios, já que há reclamação por parde delas?

Dr. Paulo Lucena: É preciso apertar os seios para separar as estruturas internas e torná-las mais visíveis. A sensação dolorosa costuma ser maior no período pré-menstrual porque os seios ficam mais sensíveis. Então, é melhor a mulher marcar o exame para depois da menstruação.

É verdade que a mamografia não é o melhor exame para quem tem mamas densas?

Dr. Paulo Lucena: A pesquisa sempre começa com a mamografia, mas, em mulheres com mamas densas e mais fibrosas, a visibilidade não é boa. Nesses casos, é comum solicitar a ultrassonografia como complementação. Esse exame permite diferenciar nódulos líquidos e sólidos (os últimos podem ser malignos) e ver tumores não observados na mamografia.

A ressonância magnética não seria a melhor opção?


Dr. Paulo Lucena: Esse método, que capta imagens tridimensionais dos seios, não é solicitado como rotina. O exame demora de 30 a 40 minutos, tem custo alto e poucos serviços dispõem da bobina específica para estudar as mamas. Fora isso, a ressonância identifica alterações mínimas que podem levar a biópsias desnecessárias. É indicado quando já há o diagnóstico de câncer para observar mais detalhes e programar melhor o tratamento.

É verdade que a mamografia reduz a mortalidade por câncer?

Dr. Paulo Lucena: Há estudos feitos na Suécia que mostram uma queda de 15 a 30% na mortalidade. Já no trabalho publicado no Brittish Medical Journal, a redução foi de apenas 8%. Os pesquisadores canadenses acompanharam 90 mil mulheres entre 49 e 59 anos durante 25 anos e concluíram que um em cada cinco casos de câncer de mama diagnosticados pelo exame durante o estudo não representava uma ameaça à saúde, portanto não precisaria ser combatido com cirurgia, quimioterapia ou radioterapia. É o que os especialistas chamam de "overdiagnose", isto é, diagnóstico exagerado. De fato, nem todo câncer descoberto no início evolui de modo lesivo. O problema é que não temos um marcador definitivo que nos diga qual vai ficar naquele estágio e qual vai evoluir e destruir a mama. Às vezes, tumores pequenos podem ser muito agressivos. Na dúvida, removemos e tratamos." A mamografia é o exame mais eficiente para se realizar o diagnóstico precoce do câncer de mama no Brasil. Os dados sobre o impacto do exame na redução da mortalidade pela doença em estudo canadense citados acima referem-se apenas à realização do exame em mulheres entre 40 e 49 anos de idade, em comparação com mulheres com 50 a 69 anos. Mesmo nessa faixa, no entanto, a Femama e muitas associações médicas sérias defendem o início do tratamento a partir dos 40 anos, pois não existem estudos que garantam que deixar de realizar esses exames no Brasil em mulheres entre 40 a 49 anos não resultaria em aumento da mortalidade pela doença. A realidade de acesso à tratamento em nosso país é diferente da canadense, ressalva feita pelo próprio estudo. Lembrando que a realização de mamografia para diagnóstico precoce no Brasil a partir dos 40 anos é um direito das mulheres garantido por lei.

Pra fazer o exame, é importante a mulher dizer que tem silicone, caso tenha?

Sim, a prótese pode dificultar a visualização de tumores. Mas existem manobras que aumentam o campo de visão na mamografia. A primeira parte do exame é igual e, na segunda, o técnico empurra a prótese e comprime apenas o tecido mamário. Mais é importante a mulher avisar, se caso tiver silicone.

Quais as precauções que a mulher tem que tomar para prevenir a doença? 


O principal é manter uma boa qualidade de vida: ter uma alimentação saudável, fazer exercícios regularmente, evitar bebida alcoólica e fugir dos quilos a mais, em especial depois da menopausa. A maternidade protege contra esse tumor se a mulher tiver filhos antes dos 35 anos de idade e amamentá-los. Eliminar os fatores que aumentam o risco de desenvolver o câncer de mama é uma forma válida de praticar o autocuidado. Com práticas saudáveis é possível reduzir a probabilidade de se desenvolver a doença. No entanto, mesmo mantendo esses hábitos, as mulheres ainda estão sujeitas a desenvolverem a doença. O câncer de mama, assim como os demais tipos de câncer, é resultado de mutação genética, que pode ser herdada ou, o que ocorre na grande maioria dos casos, espontânea. Uma mutação espontânea pode ocorrer em uma célula do corpo ao longo da vida e ocasionar a doença, no entanto não se sabe com precisão se essas mutações ocorrem devido ao estilo de vida, alterações químicas no corpo da mulher ou à exposição a toxinas no ambiente, por exemplo. É por isso que, em se tratando de câncer de mama, é preferível falar em diagnóstico precoce que em prevenção. A realização regular de exames deve estar entre as boas práticas para se reduzir o risco de mortalidade por câncer de mama.

É verdade que o homem também precisa ir ao mastologista?

Sim, mais o número de homens diagnosticados com câncer de mama é bastante inferior ao das mulheres. A estimativa é que para cada 100 casos da doença em mulheres, exista um em homem.

Sintomas no homem
A percepção de um caroço (tumor) no homem fica mais fácil que em mulheres. Como normalmente é indolor, o tumor pode ser confundido com outras doenças, principalmente com a ginecomastia, que consiste em um crescimento benigno das mamas nos homens, causado por uso de medicamentos ou por desequilíbrio hormonal. Por isso é fundamental que os homens estejam atentos e informados, pois além de um caroço pode aparecer descamação do mamilo ou mesmo erosões nessa área.

A enrevista foi concedida a Web Rádio Petrolândia no dia 13 de maio de 2017

Blog de Assis Ramalho
Fotos: Ancilon Leal Rodolfo


0 comentários:

Postar um comentário