quarta-feira, 17 de maio de 2017

PB: Operação Gabarito já investiga mais de 100; cobravam valores entre R$ 50 mil e R$ 150 mil para repassar as respostas aos candidatos


Os investigadores que atuam na Operação Gabarito já chegaram à casa de 100 suspeitos identificados. Até agora, 25 foram presos, mas a Polícia Civil trabalha com um universo de 500 pessoas, envolvidas no esquema de fraudes em concursos públicos. Nesta terça-feira (16), uma mulher aprovada em um curso, por meio da fraude investigada, se apresentou à polícia, dizendo que não quis esperar ser presa. Prestou depoimento e foi liberada, porque não havia flagrante, nem mandado de prisão expedido contra ela.

Segundo o delegado Lucas Sá, da Delegacia de Defraudações e Falsificações de João Pessoa (DDF-JP), que investiga o esquema criminoso, uma centena de suspeitos identificados é apenas o início do trabalho, já que, diariamente, surgem novos suspeitos. A mulher que se apresentou é um dos 500 suspeitos de terem conseguido aprovação em concursos públicos, mediante fraude. "Ela confessou que comprou o kit de comunicação, com o ponto eletrônico e outros equipamentos, pelo valor de R$ 20 mil e que a negociação foi feita com Vicente e Flávio (dois dos líderes da quadrilha). Disse que foi aprovada e que estava aguardando a nomeação para o cargo, o que não vai mais acontecer", contou o delegado.

A Operação Gabarito foi deflagrada na manhã do domingo (7), com a prisão dos líderes e alguns integrantes de uma organização criminosa, que cobrava valores entre R$ 50 mil e R$ 150 mil, para repassar as respostas aos candidatos que contratavam o serviço. Para isso, o grupo tinha professores que eram pagos para se passarem por candidatos e responder as provas no dia dos concursos. Eles concluíam a avaliação em pouco tempo e, ao sair, passava as respostas para uma espécie de central de operações da quadrilha, que retransmitia as respostas para os candidatos, através de um moderno sistema de pontos eletrônicos.


Agora, a polícia trabalha para identificar e prender todos os candidatos que foram aprovados em concursos, por meio da fraude. A polícia já identificou 70 concursos que foram fraudados, alguns deles com todas as vagas sendo preenchidas de forma ilegal.

PRF se entrega

Um dos líderes da quadrilha, de acordo com a polícia, era o policial rodoviário federal Marcos Vinícius Pimentel dos Santos, que teve a prisão temporária decretada na semana passada. Mas, ao visitar o endereço do suspeito, os policiais tomaram conhecimento que ele estava foragido desde o dia em que a operação foi deflagrada. Ontem, no início da noite, Marcos se apresentou na 4ª Vara Criminal, onde estão sendo analisados os pedidos de prisão da operação, acompanhado de advogados. Após recebê-lo, a juíza Lua Yamaoka Mariz Maia entregou o acusado ao delegado Lucas Sá, que seguiu para qualificá-lo e interrogá-lo.

Prisão esgotando

Os últimos quatro acusados, presos na última sexta-feira, tinham prisão temporária válida até ontem. Embora tenham passado pela audiência de custódia na segunda-feira, não houve uma decisão da juíza, no dia da audiência, se convertia a prisão temporária em preventiva, fazendo com que os suspeitos continuassem presos ou se eles teriam que ser liberados no final da tarde de ontem. Por conta do volume de trabalho na 4ª Vara, Lua Yamaoka estendeu o prazo da temporária por algumas horas. Até o fechamento desta edição não havia uma decisão se eles seguiriam presos ou seriam liberados.

Portal Correio


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