quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

João Pessoa/Petrolândia: Bira Delgado dá amostra de seu livro na crônica "Nos meus tempos de menino"

Bira de Seu Afonso Delgado (Foto: Fred William)

Meu prezado jornalista e conterrâneo, Assis Ramalho. Primeiramente, gastaria de reforçar as nossas boas e positivas impressões, referente a folha de serviços prestados, por o nobre jornalista e equipe, nas informações prestadas a toda esta grande REGIÃO. Mesmo distante, fisicamente, daqui diariamente fico muito bem informado, através dos espaços que você nos tem proporcionado, via redes sociais e Blog. Estou escrevendo um livro e boa parte é dedicado a nossa região e família. Estou lhe enviando, esta crônica, que fará parte do mesmo. Caso seja interessante, depois lhe enviarei mais.

Receba os nossos parabéns, junto de um forte e demorado abraço.

Bira de Seu Afonso Delgado

NOS MEUS TEMPOS DE MENINO - A FEIRA DO JIRAU-PE 
 
Foi na feira do Jirau, povoado que faz parte do município de Itaíba, final do agreste pernambucano, pois logo bem próximo, já faz limite com a Região do Sertão do Moxotó. Lá eu nasci e convivi até os meus doze anos. Toda feira do interior do nordeste, com certeza, há de tudo isso um pouco. É somente comprovar na bela música de Luiz Gonzaga e Onildo Almeida (A FEIRA DE CARUARU).

Fiz da feira da minha terra, um verdadeiro laboratório de aprendizado popular. Todos os domingos chegavam os produtos com seus artistas populares mostrando a força dos seus talentos. Eu, como sou um bom prestador de atenção, não me cansava de parar para ouvir os cantadores de ABC, poetas populares que frequentavam as feiras comercializando seus folhetos de cordel. Aliás, veio daí minha paixão por esse gênero da poesia. Sempre admirei as feiras livres, em especial a do meu Jirau, meu torrão de origem. Achava bonito o desfilar dos caminhões paus de arara, que dos quatro cantos chegavam apinhados de pessoas a conduzirem suas mercadorias. Encantava-me com os vendedores de pomadas e cascas de pau, a divertirem o público com seus ousados ventríloquos, que falavam e contavam piadas como se fossem "gente". Adorava os bolos, doce quebra - queixo, os picolés de seu Nilo... Para mim, a feira era sempre uma festa, sendo rara a semana que não a frequentava. Chegava de manhã, no começo, e saía a tardinha, já no final. Hoje me veio um momento que era (QUASE COMUM), a feira com frequência acabava em briga (IMBUANÇA).

Neste dia, estava eu, já depois do almoço, a me deslumbrar com um vendedor de pomada, que dizia ele: "SERVE PARA TODO TIPO DE DOR". O vendedor artista, era um negro forte e alto e para juntar gente e fazer a sua PROPAGANDA, o mesmo pedia sempre a alguém que lhe amarrasse em uma corda, onde ele mesmo com bastante paciência, sempre se livrava sozinho dos nós bem dados daquela corda. Neste dia, me lembro que os amigos Didi de Nevoeiro e Dedê de Bagaceira se ofereceram para amarrar o artista/vendedor, mas quem foi aclamado para executar o ato de amarrar o vendedor/artista foi um famoso e conhecido VAQUEIRO/CARREIRO, Gitirana, acostumado a amarrar boi brabo e as cargas dos seus carros de boi. Gitirana já havia tomado alguns Drury's e executava cada nó com prazer. De repente, antes do vendedor/artista começar a divulgação do seu produto, no seu entorno estava uma grande plateia encantada e que possivelmente seriam, quase todos consumidores do produto "milagroso". Eis que, de repente, surge um tiroteio no beco de Seu Janjão. Era um "manarizeiro", filho de Seu Né Dondom, que achou de resolver um problema particular, com um outro seu conterrâneo, à bala. Todos que estavam na feira, inclusive nós que assistíamos ao espetáculo do "homem amarrado" e vendedor, corremos à procura do primeiro abrigo.

Na correria, eu só escutava e lamentava os gritos do vendedor amarrado às cordas a gritar: "TIREM-ME DAQUI, ME AJUDEM, VOU MORRER AMARRADO NESTAS MALDITAS CORDAS!"..."Só sei que foi assim"... 

Bira de Seu Afonso Delgado


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