quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Médica comenta decisão do STF sobre fornecimento de remédios

Dermatologista Livia Pino defende que o SUS forneça medicamentos de alto custo, mas teme a falta de embasamento técnico na hora da concessão de liminares por parte da Justiça

O ministro Teori Zavascki pediu mais tempo para estudar a ação e com isso o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o julgamento que decidirá se o poder público tem obrigação de fornecer medicamentos que não constam da lista do Sistema Único de Saúde (SUS). Mesmo que a decisão ainda não tenha sido tomada, o assunto virou pauta da imprensa e da sociedade com bastante intensidade esta semana. A médica dermatologista Livia Pino, professora da Faculdade de Medicina de Valença (RJ), comentou o assunto.

"A questão é mais complexa do que imaginamos. Concordo que o Governo deve fornecer medicamentos para os pacientes que necessitam, inclusive os de alto custo. Mas devemos saber que alguns medicamentos prescritos - e que muitas vezes a Justiça manda o Governo conceder - não são liberados no Brasil. É muito complicado liberar um remédio que não tenha aprovação da ANVISA, que é o órgão regulador do setor no Brasil. Muitas vezes estes medicamentos não passaram pelos testes necessários e não possuem ainda segurança comprovada para que o paciente possa utilizá-los. A consequência de liberar tais remédios pode ser desastrosa", pontua a médica.



Ela acrescenta que "outro lado que preocupa parte da classe médica, é o fato de cada vez mais a Justiça estar concedendo decisões liminares sem o embasamento de um médico. Para os familiares que procuraram a Justiça, claro, é um ato de busca de uma solução para o tratamento de seus entes. Mas é importante que estejam cientes que medicamentos sem testes concluídos não possuem a segurança necessária e, muitas vezes, ao invés de ajudar, podem piorar o quadro".

"No entanto, os medicamentos de alto custo liberados pela ANVISA devem sim ser fornecidos para os pacientes que necessitam. Trabalho no SUS e sei como é desesperador, tanto para os pacientes e familiares quanto para nós médicos, que participamos da angústia de não conseguir tratar o paciente já que a medicação muitas vezes não é liberada, ou demora um tempo muito grande, que pode ser fatal para o paciente", concluiu a dermatologista.


Perfil – Livia Pino é médica dermatologista, membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ, tem pós-graduação em Dermatologia pela Policlínica Geral do Rio de Janeiro. Livia atua ainda como professora da Faculdade de Medicina de Valença e Preceptora do ambulatório de Pós-Graduação em Dermatologia da Policlínica Geral do Rio de Janeiro.

Visite: www.liviapino.com.br

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Assessoria de Imprensa Livia Pino


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