segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Guia da USP ensina a lidar com plantas medicinais

Inspirada num jardim plantado em suas dependências, faculdade de medicina publicou um manual completo sobre os vegetais que têm potencial de cura

Plantas medicinais foram usadas ao longa da história da humanidade, mas médicos alertam para que não sejam consumidas sem a orientação de um especialista.

A reportagem é de Beatriz Montesanti, publicada por Nexo, 26-07-2016.

Desde junho de 2013 há uma pequena horta no pátio de cimento que cerca a Faculdade de Medicina da USP, na zona oeste de São Paulo. Lá, em bombonas plásticas azuis (recipientes usados para transporte de produtos químicos), cresce uma diversidade de ervas medicinais.

Chamadas “farmácias vivas”, essas plantas podem curar enfermidades, mas, se usadas de forma indevida, podem também ser tóxicas e causar efeitos colaterais.

Com isso em mente, uma equipe de professores e voluntários da faculdade preparou um guia sobre as ervas ali cultivadas - e que também podem ser encontradas na natureza.

O “Guia Informativo sobre Plantas Medicinais” ensina a colher as plantas, selecionar as folhas e prepará-las. Ao todo, são 51 ervas descritas, entre elas alecrim, babosa, capuchinha, louro e tomilho. A horta da faculdade é aberta ao público e colaborativa.

Os cuidados

Antes de entrar no mérito do preparo das ervas medicinais, o guia alerta para as precauções que devem ser tomadas quando lidando com elas. “Remédios caseiros só devem ser usados com as devidas orientações”, diz o manual.

O que não fazer:
Suspender o uso de medicação para usar erva medicinal
Usar sem orientação médica
Usar sem diagnóstico correto da doença
Ingerir em excesso ou de forma concentrada

Atentar para:
A forma de tratamento (uso interno ou externo)
Suspender o uso em caso de sensibilidade
Procurar pelo nome científico da planta
Contraindicações de cada espécie

Modo de preparo

Segundo o guia, há oito formas diferentes de se preparar e “consumir” as ervas medicinas. São elas infusão,decocção, maceração, cataplasma, compressa, banho, bochecho, gargarejo e inalação. Por vezes, são usadas várias técnicas de forma conjunta. A compressa e o banho, por exemplo, são feitos após as plantas passarem pelo processo de infusão.

A infusão é o processo mais antigo de todos eles e consiste em verter água fervente sobre as ervas picadas. O resultado pode ser tomado morno, frio ou gelado e é recomendado para distúrbios digestivos.

As ervas também podem ser preparadas de mais de uma forma, de acordo com suas propriedades e a enfermidade a se tratar.

A azedinha, por exemplo, conhecida em partes do país como azedinha da horta ou azeda-brava, pode ser preparada de seis formas diferentes, três para uso interno e três para uso externo.

No primeiro caso, a decocção (forma de cozimento) é a mais indicada para uso diurético, a infusão e o suco, parafebre. No caso de uso externo, é possível prepará-la por cataplasma (preparação feita com planta triturada), compressas e folhas secas. Elas ajudam no inchaço e gengivite.

Graças a suas propriedades químicas, plantas medicinais foram usadas ao longa da história da humanidade por populações de diferentes culturas, em particular em localizações de clima tropical, onde há mais agentes infecciosos. Apesar de seu uso tradicional, porém, médicos alertam para que elas não sejam consumidas como medicamento sem a orientação de um especialista.

Algumas das plantas medicinais:

Alecrim: Indicado em casos de problemas digestivos, cansaço físico, dores reumáticas e problemas respiratórios.
Babosa: Usada para tratamento de acne, queda de cabelo, anemia, dor de cabeça, dor muscular, hidratação da pele, inflamações e problemas digestivos.
Camapu: Doenças de pele, inflamações da garganta e do trato gastrointestinal.
Endro: Enjoos, estimulação da lactação, cólica, dor de dente, azia e insônia.
Gengibre: Doenças respiratórias e problemas de garganta, enjoos em viagem, ressaca e náusea da gravidez.

Fonte: IHU On-Line


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