terça-feira, 23 de agosto de 2016

Estudo da Fitotecnia revela alternativas ao agrotóxico no controle de pragas do coqueiro


Uma pesquisa sobre controle biológico em coqueiros, integrada pelo Prof. José Wagner da Silva Melo, do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal do Ceará, em parceria com a Universidade de Amsterdã, na Holanda, constatou evidências na eficácia de duas espécies de ácaros, o Amblyseius largoensis e Euseius alatus, no combate a uma das principais pragas dessas plantas, o ácaro-da-necrose-do-coqueiro.

A investigação aponta alternativas que diminuem o uso de agrotóxicos no controle de pragas no coqueiro, trazendo uma opção de cultivo mais viável aos pequenos e médios produtores.

A reportagem foi publicada por Universidade Federal do Ceará - UFC, 22-08-2016.

O material foi publicado pela revista científica Experimental and Applied Acarology e, ainda, pela universidade holandesa, em julho deste ano, com o título "Evidence of Amblyseius largoensis and Euseius alatus as biological control agent of Aceria guerreronis" (Evidência de Amblyseius largoensis e Euseius alatus como agentes de controle biológico de Aceria guerreronis), como parte da tese de doutorado "Small is superior – Plant-provided prey refuges, predator-prey dynamics and biologial control" (O menor é superior – Refúgio de presas providos por plantas, dinâmica presa-predador e controle biológico).

"A pesquisa mostra o controle biológico do ácaro-da-necrose-do-coqueiro através do uso de ácaros predadores. Nesses sistemas, pulverizações têm sido feitas de forma preventiva, o que eleva demasiadamente os custos. Mostramos, no trabalho, que alguns ácaros predadores, um pouco menores de 0,5 milímetros, conseguem acessar a região do fruto onde estão as pragas, caracterizando-as como espécies potenciais para o controle biológico do ácaro-da-necrose-do-coqueiro. Ainda os ácaros predadores maiores, que dificilmente conseguem acessar a essa região, também alimentam-se em campo da praga, provavelmente durante a dispersão dela para novos frutos. Tais espécies são igualmente importantes para o controle biológico da praga", comenta o Prof. José Wagner.

De acordo com o professor, as informações produzidas pelo estudo poderão subsidiar aperfeiçoamentos dos atuais programas de manejo das pragas no coqueiro no País. "É um resultado importante para a cultura do coqueiro e consequente para o Brasil, que registra perdas elevadas provocadas pelo ácaro-da-necrose-do-coqueiro, como redução do número, peso, volume de água e valor comercial dos frutos", afirma.

Conduzida com os pesquisadores Heike Staudacher e Fernando Silva, da Universidade de Amsterdã; Débora Lima e Manoel Gondim, da Universidade Federal Rural de Pernambuco; e Maurice Sabelis, também da Universidade de Amsterdã, um dos maiores especialista do mundo em Acarologia, o estudo ainda apontou luzes a um problema vivido pelos holandeses: ácaros que atacam as plantações de tulipas.

"Em Amsterdã, ou na maioria dos países temperados que produzem tulipas, eles enfrentam problemas com ácaros em sistema semelhante ao do coqueiro. Lá o ácaro praga habita uma região entre as pétalas das tulipas e os ácaros predadores que ocorrem naquela região são grandes, não realizando um controle biológico satisfatório da praga. Então, eles resolveram utilizar esses pequenos ácaros predadores do coqueiro contra o ácaro praga na tulipa e os resultados foram absurdamente melhores que os atuais. Dessa forma, percebe-se que o intercâmbio entre os países e pesquisadores representa via de mão dupla no qual os dois podem sair ganhando, sem falar do enriquecimento cultural", ressalta o pesquisador.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos - Adital


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