quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Comitê do setor elétrico poderá pedir à ANA redução da vazão de Sobradinho

Desde janeiro deste ano, vazão do São Francisco está em 800 m³/s, quase metade dos 1.300 m³/s praticados no início da redução de vazões, adotada em 2013.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) poderá pedir à Agência Nacional de Águas (ANA) e ao Ibama a redução do volume de água que sai da usina hidrelétrica de Sobradinho (BA) para o Rio São Francisco, por causa do cenário de falta de chuvas na região. Atualmente, o reservatório está em 18,33% de sua capacidade máxima, mas a expectativa do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é que o nível de armazenamento em Sobradinho chegue a 2% no fim de novembro.

O assunto foi discutido nesta quarta (3), em reunião do CMSE em Brasília. No início do ano, a ANA autorizou a redução da vazão mínima do reservatório de Sobradinho para o Rio São Francisco. A redução é necessária para que o volume de água na barragem não chegue a zero, o que prejudicaria a geração de energia na região. No entanto, a redução pode prejudicar a captação de água para a população, além de outras questões como a irrigação e a navegabilidade do rio.

O volume de água que sai do reservatório de Sobradinho em direção à foz do Rio São Francisco vem sendo modificado nos últimos anos por causa da falta de chuva na região. A vazão mínima do reservatório é habitualmente de 1.300 metros cúbicos por segundo (m³/s), mas já foi reduzida várias vezes e, desde janeiro deste ano, está em 800 m³/s, que é o volume praticado atualmente.

Situação no Ceará

A reunião do CMSE realizada hoje também debateu a situação hídrica no Ceará. O secretário de Recursos Hídricos do estado, Francisco José Coelho Teixeira, disse que os reservatórios que representam 95% da capacidade de reserva hídrica do Ceará estão com nível abaixo de 30%, devido à situação climática desfavorável dos últimos anos.

A restrição hídrica poderá afetar a operação das usinas termelétricas de Pecém I e II, que dependem de água para sua operação. Segundo o ONS, para substituir os 1080 MW gerados pelas duas termelétricas, haveria um custo de operação a mais de R$ 650 milhões a R$ 750 milhões até o final deste ano. O CMSE criou um grupo de trabalho para aprofundar a análise sobre o assunto. A Agência Nacional de Energia Elétrica informou que está estudando o caso, inclusive com reuniões com os agentes geradores.

Uso de termelétricas

O CMSE informou que o risco de qualquer déficit de energia neste ano é zero para as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. No entanto, o grupo decidiu manter a utilização de termelétricas para garantir o suprimento de energia nos subsistemas Nordeste e Norte. O objetivo é preservar os estoques das usinas hidrelétricas Tucuruí e Sobradinho e operar as interligações com critérios de segurança adequados.

Durante o encontro, o Ministério de Minas e Energia apresentou um panorama de todas as ações feitas pelo setor elétrico como preparação para a Olimpíada.

Agência Brasil


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