sábado, 13 de agosto de 2016

Aula inaugural na Univasf inicia cursos de graduação e especialização pelo Pronera em Juazeiro-BA

Aula inaugural deu boas-vindas aos 150 novos estudantes da Univasf (Foto: Ascom Incra/MSF)

A Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) realizou, na manhã da última segunda-feira (8), no Complexo Multieventos, Campus Juazeiro (BA), a aula inaugural que deu as boas-vindas aos 150 novos estudantes que irão cursar as graduações em História e Ciências Sociais, bem como a especialização em Educação do Campo. Os cursos estão sendo oferecidos pelo Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), por meio de um Termo de Execução Descentralizada entre o Incra e a Univasf. A palestra de abertura foi ministrada pela professora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Ramonildes Alves Gomes, que versou sobre “Novas Ruralidades”.

Na ocasião estiveram presentes o reitor da Univasf, Julianeli Tolentino de Lima; o vice-reitor, Telio Nobre Leite; a pró-reitora de Extensão, Lúcia Marisy; e a pró-reitora de Ensino, Mônica Tomé; o superintendente regional do Incra no Médio São Francisco, Bruno Ferreira Medrado; a representante da Coordenação Nacional do Pronera, Conceição Coutinho Melo; e representantes dos movimentos sociais e sindicais do campo; alunos e professores dos cursos.

A solenidade foi aberta pela apresentação da Orquestra de Câmara, formada por alunos da Univasf e comunidade externa, sob a regência do professor e coordenador do curso de Licenciatura em Música do campus Petrolina IF Sertão-PE, Ozenir Luciano. Em seguida os alunos dos cursos apresentaram uma mística em alusão as conquistas e importância da reforma agrária e principalmente da educação do campo.

Para a educanda de Ciências Sociais, Lais Carvalho da Silva, do assentamento José Ivaldo I, no município de Santa Maria da Boa Vista, o curso representa uma etapa muito importante na vida dela. “Pra gente que vive no assentamento é uma conquista muito grande estar frequentando uma universidade federal e o Pronera nos viabilizou isso”, ressalta. Sentimento similar ao do jovem Joedenis Pereira da Silva, do assentamento Antônio Conselheiro I. “Estar cursando uma graduação deste porte seria muito difícil para alguém que mora em um assentamento em Petrolândia, que não dispõe de universidades públicas”, disse Joedenis. Lagany Freires, do assentameto Irmã Doroty, afirmou que “com a minha aprovação e inserção na graduação de Ciências Sociais é a realização do sonho de duas pessoas - meu e de minha mãe, que sempre desejou me ver formada. Por isso, não pretendo jamais abrir mão dela e só temos a agradecer essa oportunidade oferecida pelo Pronera”.

Para o superintendente Bruno Medrado, o Programa é uma política pública imprescindível ao beneficiário da reforma agrária. “O Pronera em 18 anos de existência já beneficiou, diretamente, mais de 200 mil educandos oriundos do Programa Nacional de Reforma Agrária, e esperamos ampliá-lo em ofertas de cursos e alunos atendidos”, afirmou, acrescentando que "todos nós do Incra ficamos muito felizes em conseguir essa parceria com a Univasf e tenho certeza de que os frutos que vamos colher serão muito importantes para o desenvolvimento desses estudantes e dos assentamentos da região”.

Para o reitor da Univasf, Julianeli Tolentino de Lima, os cursos realizados em parceria com Pronera representam uma oportunidade para disseminar o conhecimento acadêmico nas comunidades. “O Pronera é uma ferramenta importante para que nós possamos proporcionar uma integração ainda maior entre a academia e as comunidades e nós queremos continuar a ampliar os nossos serviços para o povo, assim como trazer o povo para dentro da Universidade”, destacou.

A representante da Coordenação Geral de Educação do Campo e Cidadania do Incra, Conceição Coutinho Melo, acredita que os cursos serão um sucesso. “O objetivo é atender demandas reprimidas historicamente por falta de educação do campo. Então, é muito gratificante para nós podemos contribuir com o desenvolvimento dessa região”, afirmou.

Primeiro da família a se graduar e, agora, a fazer um curso de pós-graduação, Tiago da Silva Carvalho - que faz parte do assentamento Alto da Areia, localizado em Petrolina (PE) -, irá realizar especialização em Educação do Campo. “Será importante para me capacitar e compreender melhor essa conjuntura política que existe para o campo, de forma que eu possa contribuir com projetos e pesquisas, conforme a nossa realidade”, afirmou.

As atividades do Pronera já estão em andamento no Espaço Plural da Univasf, em Juazeiro. Os cursos serão realizados conforme a metodologia da Pedagogia da Alternância, com carga horária distribuída em atividades na Universidade, o chamado Tempo Universidade, com duração de 30 dias; e nas comunidades de origem dos estudantes, o Tempo Comunidade, cuja duração será de 90 dias. Os cursos de graduação terão duração total de quatro anos e a especialização será concluída em dois anos

Histórico
O surgimento do Pronera remonta ao final da década de 1990, com a mobilização de movimentos sociais do campo em torno da necessidade de ampliação da oferta educacional aos camponeses. As reivindicações por terra e direitos sociais ocorriam em um momento marcado por conflitos agrários, a exemplo da morte de trabalhadores rurais em confronto com a polícia naquele que ficou conhecido como o “Massacre de Eldorado dos Carajás”, no Pará, episódio completou 20 anos em 17 de abril último.

Durante o I Encontro Nacional de Educadoras e Educadores da Reforma Agrária (Enera), realizado em 1997, na Universidade de Brasília (UnB), foi consenso a necessidade de criação de um programa especial de educação voltado aos beneficiários da reforma agrária - até então não atendidos por uma política pública específica no Plano Nacional de Educação. A proposta se concretizou na edição, em 16 de abril de 1998, da Portaria nº 10, do então Ministério Extraordinário de Política Fundiária, instituindo o Pronera.

No início privilegiou-se o combate ao analfabetismo de jovens e adultos. Em 2001, o Pronera foi incorporado ao Incra. Transformado em política pública permanente em 2010, também capacita educadores para atuação nos assentamentos e coordenadores locais, que ajudam na organização de atividades educativas nessas comunidades.

Assessoria de Comunicação Social do Incra/Médio São Francisco


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